quinta-feira, 20 de março de 2014

COLONIZAÇÃO E INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Os Estados Unidos da América, hoje uma grande nação, começou como o Brasil, uma colônia, ou mais precisamente 13 colônias.
Fugindo das perseguições religiosas, das dificuldades econômicas, muitos protestantes vieram para a América, ou o Novo Mundo, como era conhecido no início do século XVII. E dentre esses que vieram para o Novo Mundo, estavam também os "degredados", espécies de criminosos que vinham para a América pagar por seus crimes, mulheres pobres, entre outros.
Esses colonos se estabeleceram na costa leste da América do Norte, onde fundaram a primeira colônia, Virgínia, em homenagem a Rainha Elizabeth, a famosa "Rainha Virgem".
Muitas lutas foram declaradas entre os colonos e os índios (habitantes locais). Muitos indígenas foram dizimados, expulsos de suas terras e acabaram sendo obrigados a migrar para o interior do território. E aos poucos as Treze colônias foram sendo fundadas.

Com o decorrer da colonização, as Treze Colônias acabaram por se diferenciar, e podemos dividi-las em:

  • Colônias Centro Norte : mão-de-obra livre, comércio triangular (comércio entre as colônias, Antilhas e África, com a exportação de madeira, peles, peixe seco, importação de açúcar, vinho, etc.), pequenas propriedades e policultura (produção agrícola de vários produtos, extração de madeira e peles, culturas de trigo, cevada e centeio, criação de bois, cabras e porcos.). Essas colônias acabaram por se tornar relativamente autônomas, sem muita interferência do Pacto Colonial.
  • Colônias do Sul: produção agrícola voltada para o mercado externo. monocultura (tabaco e algodão), baseada em grandes propriedades rurais (plantations), com mão-de-obra escrava africana. esses colônias foram mais dependentes da metrópole (Pacto Colonial, ou exclusivo metropolitano, a colônia era obrigada a garantir o lucro para sua metrópole, que no caso aqui, era a Inglaterra, os colonos só podiam vender sua produção a comerciantes legalizados pelas metrópoles, o que não garantia bons preços a eles.).

Rumo à Independência
O conflito entre os colonos e a Inglaterra sempre houve, porém com o decorrer do tempo se agravou. O processo de Independência foi desencadeado após a vitória dos ingleses tanto na Guerra Franco-Índia, quanto na Guerra dos Sete Anos.
Guerra Franco-Índia -  é o nome dado ao conflito ocorrido entre 1754 e 1763 entre os britânicos e os franceses, na suas colônias na América do Norte, tendo sido um dos teatros da Guerra dos Sete Anos. Ambos os lados possuíam povos nativos americanos como aliados, e a causa principal do conflito foi disputa por territórios.
Guerra dos Sete Anos - Conflitos entre a Inglaterra e França são antigos, várias guerras foram travadas entre eles, e podemos dizer que essa, foi mais uma. Ocorreu de 1756 - 1763, na qual ambos disputavam a posse de territórios na América do Norte.
Tendo vencido as duas Guerras, a Inglaterra, para recuperar sua economia, resolveu "cobrar" dos colonos, o que havia gasto e, para isso, tomou uma série de medidas, que além de ampliar a dominação sobre suas Treze colônias, causou grande insatisfação sobre os habitantes locais.

Em meados do século XVIII, os ingleses aprovaram uma série de medidas, que diminuíam em muito, a autonomia local:

  • Lei do Açúcar (1764) - proibia a importação de rum e cobrava taxas sobre a importação de açúcar (melaço) que não viesse das Antilhas inglesas.
  • Lei do Selo (1765) - cobrava uma taxa sobre os diferentes documentos comerciais, jornais, livros, etc.
  • Lei do Chá (1773) - concedia o monopólio de venda de chá nas colônias à Companhia das Índias Orientais. A ideia era combater o contrabando do produto realizado pelos colonos. Revoltados, os colonos se disfarçaram de índios e jogaram todo o carregamento de chá no mar (The Boston Tea Party - festa do chá de Boston).
  • Leis Intoleráveis (1774) - para combater a revolta, o governo inglês adotou duras medidas, como o fechamento do porto de Boston, até que se pagasse o prejuízo pela carga jogada ao mar, e o direito do exército de punir e julgar os rebeldes. 
Essas medidas não foram aceitas pela elite colonial americana, que tinha medo de perder sua autonomia local. Então se reuniram, em 1774, no Primeiro Congresso Continental da Filadélfia, e com representantes das treze colônias, elaboraram um documento solicitando medidas do governo inglês, que fez pouco caso.
 Em 19 de abril de 1775, ocorre a primeira batalha pela independência, a Batalha de Lexington. Na sequência, em 1775, realizaram o Segundo Congresso Continental da Filadélfia, conclamando os cidadãos às armas, e nomearam George Washington, comandante-chefe do exército colonial. No dia 04 de julho de 1776, apresentaram a Declaração de Independência dos Estados Unidos, redigida por uma comissão, formada por Franklin e Jefferson, entre outros, com ideais iluministas, como "todos os homens têm direitos naturais: à vida, à liberdade e à conquista da felicidade".
A Inglaterra é claro, não aceitou o documento, e a guerra foi longa e cruel. Após várias batalhas e tendo o apoio dos franceses, os colonos vencem a guerra e, após muitas negociações, é assinado em 1783, no dia 03 de setembro, o Tratado de Versalhes, documento na qual a Inglaterra reconheceu a independência dos Estados Unidos da América.
As colônias da América do Norte conseguiram o que nenhuma outra tinha conseguido até então, a independência da Metrópole. A Revolução Americana como ficou conhecida, teve influência dos movimentos iluministas e logo depois inspirou várias outras revoluções e independências pelo mundo. Foi a primeira de muitas.






Referências:
BECKER, Idel. Pequena História da Civilização Ocidental. Companhia Editora Nacional.1980. p. 415-416.
COTRIM, Gilberto. História Global Brasil e Geral, volume único. Editora Saraiva. 2005. p.284-287.



DICA DE FILME:



O PATRIOTA (2000)

 Dirigido por: Roland Emmerich
Com Mel Gibson, Heath Ledger, Tchéky Karyo
Gênero: Histórico , Drama , Guerra , Ação
Nacionalidade:  EUA , Alemanha

Sinopse
Benjamin Martin é um herói do violento conflito entre os Estados Unidos e os britânicos. Viúvo e com sete filhos, desde o término da guerra ele renunciou a luta e resolveu viver em paz numa fazenda com sua família. Em 1775 se inicia a guerra que pode dar à independência política aos Estados Unidos da América e ele é chamado para combater, porém se recusa.
Entretanto, quando o exército britânico invade sua fazenda e mata um de seus filhos, Martin muda de atitude e se apresenta para combate em busca da vingança pela morte de seu filho. No decorrer dos combates, a guerra se torna mais do que uma vingança para ele, torna-se um dever patriótico.










sexta-feira, 14 de março de 2014

A PESTE NEGRA

A peste negra, também conhecida como peste bulbônica, foi uma doença que assolou a Europa durante o século XIV, que matou cerca de um terço da população europeia. Há que fala de 25 a 75 milhões de pessoas. Associado a outros fatores como As Cruzadas, renascimento das cidades e do comércio e a Grande Fome, enfraqueceram o sistema feudal.
A doença é bastante antiga, conhecida desde a antiguidade, porém a maior epidemia que houve foi realmente a da Europa Medieval. Acredita-se que chegou a Europa a partir de navios que vinham do Oriente, principalmente durante as Cruzadas.
É é causada pela bactéria Yersinia pestis , transmitida ao ser humano através das pulgas (Xenopsylla cheopis) dos ratos-pretos (Rattus rattus) ou outros roedores. Os surtos de peste bubônica têm origem em determinados focos geográficos onde a bactéria permanece de forma endêmica, como no sopé dos Himalaias e na região dos Grandes Lagos Africanos. As restantes populações de roedores infectados hoje existentes terão sido apenas contaminadas em períodos históricos.
A contaminação ocorre devido a mordida de ratos e pulgas ou pela transmissão aérea. Ataca o sistema linfático e até mesmo o respiratório. Quando na sua forma pneumônica, a morte é rápido, chegando em um ou dois dias. 
Sem ter conhecimento de como se disseminava a doença, muitos chegaram a culpar o judeus, estrangeiros e marginalizados socialmente como responsáveis pela peste. Mas hoje, sabe-se que grande parte da responsabilidade pela praga, vinha das más condições de higiene. As cidades medievais estavam abarrotadas de pessoas, sem nenhum saneamento básico, condições precárias de saúde devido principalmente a Grande Fome que assolou a Europa, lixo e esgoto à céu aberto, onde proliferavam ratos e outros insetos. 
Essa doença dizimou boa parte da população europeia e povoou o imaginário popular de crendices e superstições. 






Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Peste_negra
http://www.brasilescola.com/historiag/pandemia-de-peste-negra-seculo-xiv.htm


Saiba mais:





quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O NASCIMENTO E EXPANSÃO DO ISLÃ



A civilização árabe-islâmica surgiu e espalhou-se a partir da Península Arábica. Cerca  de 80% de seu território é constituído por desertos. Na região que margeia o Mar Vermelho as terras são férteis, favoráveis ao desenvolvimento da agricultura. 
Viviam na região diversos povos, organizados em tribos ou clãs, e não possuíam unidade politica.
Até o século VI, ligavam-se por laços de parentesco e por elementos culturais comuns. Falavam o mesmo idioma, com apenas algumas variações linguísticas. Eram politeístas e cada tribo possuía suas próprias divindades. Porém, existia um elemento religioso comum, a Caaba, um templo de forma cúbica, na cidade de Meca, onde ficavam muitos ídolos tribais, em especial a Pedra Negra, que era adorada por toda a população. Segundo a crença geral, essa pedra havia sido trazida pelo anjo Gabriel e era originalmente branca, mas tornou-se negra por causa dos pecados dos homens.
As constantes peregrinações dos árabes à Caaba transformaram Meca no principal entreposto comercial de toda a península. A tribo coraixita, guardiã da Caaba, controlava todas as atividades comerciais da cidade.
No século VII, Maomé fundou o islamismo, que acabou por proporcionar a unificação da Arábia. 
Quando iniciou suas pregações, Maomé dizia que os ídolos da Caaba deviam ser destruídos, pois só havia uma deus criador, Alá. Isso provocou a reação dos sacerdotes de Meca. Obrigado a deixar Meca em 622, Maomé refugiu-se e Yathrib, que mais tarde passou a ser chamada de Medina, que significa "cidade do profeta". Pela importância dessa fuga, o ano em que ela ocorreu 622, passou a ser o primeiro ano do calendário muçulmano, episódio chamado de Hégira.
Após uma série de lutas, Maomé e seus seguidores, voltaram vitoriosos para Meca. Contudo, preservou a Caaba e a Pedra Negra. Dedicou os últimos anos de sua vida à pregação religiosa entre os árabes. A partir daí, o islamismo expandiu-se por toda a Arábia, e os diversos povos foram se unificando em torno da nova religião. Por meio da identidade religiosa, criou-se outra organização política e social entre os árabes.


A expansão islâmica
Maomé e seus seguidores criaram o Estado muçulmano, de governo teocrático, que se expandiu por meio de conquistas militares. Após a morte de Maomé em 632, a chefia do Estado árabe ficou nas mãos dos califas, chefes políticos, religiosos e militares. Esses novos chefes conduziram os árabes à Guerra Santa e, com isso, formaram um grande império. 
Várias foram as motivações dessa expansão: a busca por terras férteis, o interesse na ampliação das atividades comerciais e as Guerras Santas (djihad) contra os infiéis, aqueles que não seguiam o Islã.

Fases da expansão
  • Primeira fase (632-661) - os árabes gradativamente conquistaram a Síria, o Egito, a Palestina e a Pérsia, realizados pelos califas eleitos depois de Maomé.
  • Segunda fase (661-750) - no século VII, sob a dinastia dos califas Omíadas, rapidamente atingiram todo o norte da África e no início do século VIII, atravessaram o estreito de Gibraltar e invadiram a Península Ibérica. Ao tentarem entrar na França, foram detidos por Carlos Martel, na famosa Batalha de Poitiers (732). Nesse mesmo período, alcançaram o Turquestão, o Irã, levando as fronteiras até a Índia, onde foram detidos pelos exércitos chineses. 
  • Terceira fase (750-1258) - período da dinastia dos califas Abássidas, marcado pela ascensão dos persas ao mundo islâmico.

O Império Muçulmano organizou-se sob um regime monárquico de governo, que tinha à frente o califa. Estava dividido em províncias, cada uma governada por um emir. A capital foi transferida para Damasco e no século VIII para Bagdá. 
A partir do século XI, o Império se desfragmentou devido a vários fatores: lutas internas, guerras contra os cristãos, diversidade de povos e a invasão dos turcos. 











Difusão de conhecimentos
Do frequente contato, mantido durante séculos, entre as civilizações cristã e muçulmana, resultou um intercâmbio cultural cujos vestígios chegam até nossos dias. 
Nas ciências, os árabes mostraram-se hábeis discípulos dos pensadores gregos e dos matemáticos hindus: foram eles que introduziram no mundo ocidental europeu a numeração arábica, o conhecimento do zero e a utilização da álgebra. 
Na Astronomia, fundaram vários observatórios astronômicos, realizando observações de de eclipses solares e lunares.
Na medicina, destacou-se Avicena, o qual elaborou um compêndio que era uma codificação de todo o conhecimento médico antigo. 
Nas artes, possuíam um rico e variado estilo arquitetônico, com a presença de arcos, finas colunas e cúpulas que sustentavam as mesquitas e palácios. Destacam-se a mesquita de Córdoba, com mais de mil colunas monolíticas, e o palácio de Alhambra, em Granada, ambos na Espanha, herança da dominação dos muçulmanos na região da Península Ibérica. 
Sem contar que foi por intermédio dos árabes que chegaram à Europa inventos dos povos orientais, como a bússola, a pólvora e o papel. 


Referências : ORDOÑEZ, Marlene. Novo caderno do futuro. Ed. IBEP. São Paulo, 2007. p. 115 a 119.
COTRIM, Gilberto. História Global e Geral, volume único. Ed. Saraiva. São Paulo, 2007. p. 105 a 111.




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

ILUMINISMO - O SÉCULO DAS LUZES

Iluminismo ou Ilustração foi um movimento intelectual que desenvolveu-se durante o século XVIII na Europa, que defendia o uso da razão e do conhecimento, que seriam a luz para iluminar a sociedade do Antigo Regime.
Esse movimento trouxe grandes mudanças no setor econômico, político e social na Europa e influenciou as grandes revoluções no mundo, como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos da América. 
Esse movimento correspondia aos interesses da classe burguesa, que desejavam mais liberdade política e econômica. Os iluministas defendiam a não intervenção do Estado na economia (Liberalismo econômico), a igualdade jurídica entre os homens, liberdade de expressão e religiosa. 
O Iluminismo foi uma reação ao Antigo Regime, sistema baseado na divisão de classes e que privilegiava os nobres e o clero. Combatiam o absolutismo, os privilégios da nobreza e do clero, a intolerância religiosa, a falta de liberdade e o mercantilismo.


Pensadores iluministas
"O termo Iluminismo refere-se à razão (luz), a capacidade humana de conhecer, compreender e julgar. Apesar das diferenças e até das contradições entre as ideias dos pensadores iluministas, eles tinham como princípio básico confiar na razão como instrumento capaz de promover a crítica das questões que envolviam a sociedade e a natureza." (COTRIM-2008)




 John Locke (1632-1704), filósofo inglês, também conhecido como o "pai do iluminismo". Defendia o Liberalismo político, e que todos os homens tinham ao nascer, direitos naturais: direito à vida, à liberdade e à propriedade. E que os governos foram criados para garantir esses direitos e caso o governo não os respeitassem, o teriam o direito de se revoltar contra eles. O liberalismo político, nada mais é do que o direito de escolher o governo.



Voltaire (1694-1778), ou François Marie Arout Voltaire, foi um dos filósofos iluministas mais conhecido. Fez críticas à Igreja Católica e ao Absolutismo Francês, combateu a ignorância, o preconceito e a religiosidade exacerbada. Era totalmente a favor da liberdade de expressão, o direito que cada um tem de expressar aquilo que pensa. 




Montesquieu (1689-1755), Charles de Secondat Montesquieu. Defendeu a separação dos três poderes: Legislativo (elaborar e aprovar as leis), Judiciário (responsável por fiscalizar o cumprimento das leis) e Executivo (administrar o país e executar as leis). Em sua obra, o espírito das leis, dizia que "qualquer pessoa que tenha o poder tende a abusar dele", e que deveria evitar o poder nas mãos de uma só pessoa, por isso essa teoria dos Três poderes, que até hoje faz parte das democracias ocidentais. 











Rousseau (1712-1778), Jean-Jacques Rousseau. Em uma de suas obras, O contrato social, Rousseau defende a ideia de que o povo é soberano e que deve prevalecer a vontade geral (democracia). Segundo esse pensamento, se o governo escolhido pelo povo não o estiver representando, pode-se substituí-lo.















O Iluminismo na economia

Fisiocracia (palavra de origem grega, que siginifica "governo da natureza") - os fisiocratas foram os primeiros a criticar o mercantilismo, politica econômica do Antigo Regime. Acreditavam que a única fonte de riqueza era a terra e que a agricultura era a mais importante atividade econômica. 








Liberalismo econômico - Tendo como criador Adam Smith, essa ideia divergia dos fisiocratas: a única fonte de riqueza era o trabalho, e não a terra. Defendiam o livre comércio e a não intervenção do Estado na economia.







Déspotas esclarecidos
Alguns reis absolutistas se apropriaram de algumas ideias iluministas para diminuir a crítica aos seus governos, como uma forma de se garantir no poder. Para isso, realizaram várias reformas, e ficaram conhecidos como "déspotas esclarecidos" ou "absolutismo ilustrado". A ideia era modernizar seus países.  Dentre os principais despostas esclarecidos, podemos citar:
Frederico II, da Prússia - aboliu as torturas, fundou escolas e estimulou o desenvolvimento da indústria e da agricultura.
Catarina II, da Rússia - construiu escolas, fundou hospitais e modernizou a cidade de São Petersburgo.
Marquês de Pombal - modernizou o exército, incentivou o comércio e as manufaturas portuguesas entre outros.

Enciclopédia
Como os iluministas acreditavam que só a razão e o conhecimento poderiam trazer luz a sociedade vigente, publicaram a partir de 1751, na França, uma obra chamada Enciclopédia, composta de 35 volumes e 2885 ilustrações. Levou 21 anos para ser editada. A ideia era reunir todo conhecimento produzido até então.
A obra chegou a ser proibida e retirada de circulação, pois fazia críticas ao Antigo Regime, aos reis a à Igreja.
As ideias iluministas rapidamente se espalharam pelo mundo, influência várias movimentos, revoluções e até hoje podemos perceber seus princípios em nossa Constituição brasileira, na democracia ocidental. 









[...] A maioria dos filósofos do iluminismo tinha uma crença inabalável na razão humana. Isto era algo tão evidente que muitos chamam o período do iluminismo francês simplesmente de 'racionalismo'.[...]
Entre o povo, porém, imperavam a incerteza e a superstição. Por isso, dedicou-se especial atenção à educação. [...] Os filósofos iluministas diziam que somente quando a razão e o conhecimento tivessem difundido entre todos é que a humanidade faria grandes progressos. Era apenas uma questão de tempo para que desaparecessem a irracionalidade e a ignorância e surgisse uma humanidade iluminada, esclarecida. [...]
Jostein Gaarder. O mundo de Sofia.
São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 338 e 340




Referências: COTRIM, Gilberto. História Global, Brasil e Geral. Editora Saraiva, 2005. p. 266 a 273.
BOULOS,  Alfredo. História, Sociedade & Cidadania. Editora FTD, 2012. p. 86 a 94.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

FEUDALISMO

O feudalismo foi um sistema político, cultural e econômico que se baseou nas relações servis, na dependência e fidelidade entre a nobreza guerreira e a dominação exercida sobre os camponeses. Teve sua origem na decadência do Império Romano que se culminou com as invasões bárbaras, no intercâmbio cultural e social entre esses povos. 
O feudalismo sempre esteve presente no imaginário popular. Filmes, livros, novelas sempre contém elementos feudais ou medievais. O clássico "O Senhor dos Anéis" de R.R. Tokien é recheado de medievalismo, a "Terra Média" é claramente uma alusão a sociedade medieval, recheada de reis, cavaleiros, dragões. Podemos dizer também, que Star Wars, saga do diretor George Lucas, também possui inspirações medievais meio que futuristas: cavaleiros jedis!

Segundo a periodização tradicional da História, o Feudalismo ocorreu durante a Idade Média que vai da Queda do Império Romano em 476 até a Tomada de Constantinopla pelos Turcos Otomanos em 1453.
O feudalismo tinha como características principais o poder descentralizado (dividido em diversos feudos), sendo o rei uma figura meramente ilustrativa, predomínio do Cristianismo, relações baseadas na dependência e na fidelidade (contrato de vassalagem), produção econômica voltada para subsistência.
Os reis carolíngios foram perdendo seus poderes aos poucos, o que fez com que os nobres fossem se fortalecendo. O senhor de terras (suserano) doava um feudo a outro nobre (vassalo), que recebia o direito sobre a população local. Era feito um juramento de fidelidade, onde um nobre se comprometia a proteger e auxiliar o outro militarmente. Lembrando que um vassalo poderia também doar parte de seu feudo a outro nobre e, se tornava suserano desse. 
A sociedade era totalmente estamental, ou seja, dividida em classes sociais, sem nenhuma mobilidade. Assim, aquele que nascia nobre, o seria até morrer e seus filhos também o seriam. O camponês nunca viria a ser um nobre. Casamento entre classes sociais diferentes não existiam. Isso é coisa de cinema!
 A sociedade feudal era dividida em três grupos:  clero (papa, cardeais, bispos, abades, monges e padres), sendo praticamente todos nobres e possuidores de grandes feudos; a nobreza (reis, duques, marqueses, condes, viscondes e barões) e os trabalhadores (servos, vilões e escravos).
Em troca da proteção senhorial e do direito de usar a terra para se sustentar, os servos eram obrigados a pagar uma série de obrigações: 
  • Corveia: trabalho compulsório nas terras do senhor (manso senhorial) em alguns dias da semana;
  • Talha: parte da produção do servo deveria ser entregue ao nobre, geralmente um terço da produção;
  • Banalidade: tributo cobrado pelo uso de instrumentos ou bens do feudo, como o moinho, o forno, o celeiro, as pontes;
  • Capitação: imposto pago por cada membro da família (por cabeça);
  • Tostão de Pedro ou dízimo: 10% da produção do servo era pago à Igreja, utilizado para a manutenção da capela local;
  • Censo: tributo que os vilões (pessoas livres, vila) deviam pagar, em dinheiro, para a nobreza;
  • Taxa de Justiça: os servos e os vilões deviam pagar para serem julgados no tribunal do nobre;
  • Formariage: quando o nobre resolvia se casar, todo servo era obrigado a pagar uma taxa para ajudar no casamento, regra também válida para quando um parente do nobre iria casar. Todo casamento que ocorresse entre servos deveria ser aceito pelo suserano. No sul da França, especificamente, o Senhor poderia ou não determinar que a noite de núpcias de uma serva seria para o usufruto dele próprio e não do marido oficial. Tal fato era incomum no restante da Europa, pois a igreja o combatia com veemência;
  • Mão Morta: era o pagamento de uma taxa para permanecer no feudo da família servil, em caso do falecimento do pai ou da família;
  • Albergagem: obrigação do servo em hospedar o senhor feudal caso fosse necessário.
Resumindo a sociedade feudal, Segundo o bispo Adalberon de León:“Na sociedade feudal alguns rezam (clero), outros guerreiam (nobres - cavaleiros)  e outros trabalham (camponeses)”.









Fontes: BOULOS, Alfredo. História, Sociedade & Cidadania. Ed. FTD. pg. 28-38.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Feudalismo

DICAS DE FILMES

REI ARTUR (KING ARTHUR) 2004
Diretor: Antoine Fuqua
Atores: Clive Owen, Keira Knightley, Ioan Gruffudd 
Gênero: Histórico, Ação
Nacionalidade: EUA

Sinopse

Arthur (Clive Owen) é um líder relutante, que deseja deixar a Bretanha e retornar a Roma para viver em paz. Porém, antes que possa realizar esta viagem, ele parte em missão ao lado dos Cavaleiros da Távola Redonda, formado por Lancelot (Ioan Gruffudd), Galahad (Hugh Dancy), Bors (Ray Winstone), Tristan (Mads Mikkelsen) e Gawain (Joel Edgerton). Nesta missão Arthur toma consciência de que, quando Roma cair, a Bretanha precisará de alguém que guie a ilha aos novos tempos e a defenda das ameaças externas. Com a orientação de Merlin (Stephen Dillane) e o apoio da corajosa Guinevere (Keira Knightley) ao seu lado, Arthur decide permanecer no país para liderá-lo.












quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

GLOBALIZAÇÃO E SEUS EFEITOS


Globalização é o nome que se dá à crescente integração e interdependência entre os países, resultante principalmente dos avanços na tecnologia da informação e da comunicação. 
Embora o termo Globalização seja novo, a história não é. Para muitos teve início com o comércio na África Subsaariana do período pré-colonial e com as trocas realizadas por mercadores através da Rota da Seda. Para outros, iniciou-se no século XV, com as Grandes Navegações e colonização da África, Ásia e América.
Mas graças ao avanço tecnológico, expansão das grandes corporações e à força do mercado financeiro globalizado, ocorrido nos anos 80, é que a economia adquiriu o caráter mundial e interdependente.


A Globalização é um processo contínuo, de intercâmbio de mercadorias, bens, serviços e capitais. E tem por principais características:
A grande expansão do comércio internacional. A partir da década de 70, as trocas mundiais de mercadorias e serviços atingiram o crescimento mais intenso de toda a história.
O crescimento de fluxo de capitais. As principais bolsas de valores do mundo (Nova York, Tóquio, Frankfurt e Londres) funcionam como um mercado de capitais contínuo, na qual se realizam a compra e venda de ações. Esses intercâmbios tornaram-se possível graças ao avanço da informática e das telecomunicações.
A internacionalização da produção. Hoje a produção e o consumo de mercadorias ocorrem em todo o mundo. Alguns países expandiram sua produção industrial e se converteram em grandes exportadores mundiais de artigos industrializados. 


A Globalização tende a aprofundar a divisão do mundo em países ricos e pobres. É a chamada "Globalização perversa" de Milton Santos, onde os países pobres ficam cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. Essa divisão se evidencia principalmente na concentração de tecnologia de ponta nos países mais desenvolvidos, ou no processo de patentes científicas, na qual as empresas transnacionais com sede em países ricos garantem o direito sobre as matérias-primas, produtos e bens originários de regiões mais pobres. 
Vivemos em um mundo marcado por imensos contrastes. De um lado, podemos ver realidades cada vez mais homogêneas, desfrutadas por grupos restritos de pessoas - os incluídos. Os shoppings, as comidas sofisticadas, as roupas de grife, os aeroportos, os hotéis luxuosos, os automóveis, os computadores, os telefones celulares tornaram-se padronizados em qualquer parte do mundo globalizado. De outro lado, podemos perceber inúmeros problemas e mazelas atingindo milhões de pessoas, os excluídos.
No mundo Globalizado, as decisões de um governo ou empresa influentes podem provocar efeitos em regiões distantes do lugar onde foram tomadas. Assim, o emprego de um trabalhador numa indústria automobilística instalada no Brasil pode deixar de existir se a matriz da empresa -situada, por exemplo, na Alemanha - decidir que é mais conveniente fechar a fábrica aqui para instalá-la em outro país, reduzir o número de funcionários ou substituir parcela da mão-de-obra por equipamentos eletrônicos sofisticados, objetivando ampliar os lucros.



Globalização e Exclusão Social
"A fome deixa de ser um fato isolado ou ocasional e passa a ser um dado generalizado e permanente. Ela atinge 800 milhões de pessoas espalhadas por todos os continentes, sem exceção. Quando os progressos da medicina e da informação deviam autorizar uma redução substancial dos problemas de saúde, sabemos que 14 milhões de pessoas morrem todos os dias, antes do quinto ano de vida. 
Dois bilhões de pessoas sobrevivem sem água potável. Nunca na história houve um tão grande número de deslocados e refugiados. O fenômeno dos sem teto, curiosidade na primeira metade do século XX, hoje é um fato banal, presente em todas as grandes cidades do mundo. O desemprego é algo tornado comum. Ao mesmo tempo, ficou mais difícil do que antes atribuir educação de qualidade e, mesmo, acabar com o analfabetismo. A pobreza também aumenta.No fim do século XX havia mais 600 milhões de pobres do que em 1960; e 1,4 bilhão de pessoas ganham menos de um dólar por dia. Tais números podem ser, na verdade, ampliados porque,ainda aqui, os métodos quantitativos da estatística enganam: ser pobre não é apenas ganhar menos do que uma soma arbitrariamente fixada; ser pobre é participar de uma situação estrutural, com uma posição relativa inferior dentro da sociedade como um todo. E essa condição se amplia para um número cada vez maior de pessoas. O fato, porém, é que a pobreza tanto quanto o desemprego agora são considerados como algo ‘natural’, inerente a seu próprio processo. Junto ao desemprego e à pobreza absoluta, registre­‑se o empobrecimento relativo de camadas cada vez maiores graças à deterioração do valor do trabalho." 
Milton Santos. Por uma outra globalização - do pensamento único à consciência universal. p. 59.






Referências: 
APOLINÁRIO, Maria Raquel. Projeto Araribá História, 9o. ano. Ed. Moderna. p. 239 e 240.
COTRIM, Gilberto. História Global Brasil e Geral, volume único. Ed. Saraiva. p. 531.

Vídeos:
Encontro com Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá, documentário do cineasta brasileiro Sílvio Tendler, discute os problemas da globalização sob a perspectiva das periferias (seja o terceiro mundo, seja comunidades carentes). O filme é conduzido por uma entrevista com o geógrafo e intelectual baiano Milton Santos (1926–2001), gravada quatro meses antes de sua morte.
Considerado um dos maiores pensadores brasileiros do século XX, Milton Santos não era contra a globalização e sim contra o modelo de globalização perversa vigente no mundo, que ele chamava de globalitarismo. Analisando as contradições e os paradoxos deste modelo econômico e cultural, Milton enxergou a possibilidade de construção de uma outra realidade, mais justa e mais humana.


Dicas de leitura:

Por Uma Outra Globalização
Autor: Santos, Milton
Editora: Record
Categoria: Ciências Humanas e Sociais / Política

Sinopse
Nesta obra, o geógrafo Milton Santos defende a idéia de que é preciso uma nova interpretação do mundo contemporâneo, uma análise multidisciplinar, que tenha condições de destacar a ideologia na produção da história, além de mostrar os limites do seu discurso frente à realidade vivida pela maioria dos países do mundo. A informação e o dinheiro acabaram por se tornar vilões, à medida em que a maior parte da população não tem acesso a ambos. São os pilares de uma situação em que o progresso técnico é aproveitado por um pequeno número de atores globais em seu benefício exclusivo. Resultado - aprofundamento da competitividade, a confusão dos espíritos e o empobrecimento crescente das massas, enquanto os governos não são capazes de regular a vida coletiva. Apesar disso, Milton Santos reconhece o começo de uma evolução positiva nas pequenas reações que ocorrem na Ásia, África e América Latina. Talvez pode ser este o caminho que conduzirá ao estabelecimento de uma outra globalização. A proposta deste livro é levar uma mensagem de esperança na construção de um novo universalismo, menos excludente.